Não! Eu não sou tia de ninguém...
Sou filha única, mas não sou a única filha de meu pai...ele tem duas e eu nenhuma.
Não! Isso não é um teste de lógica...
Calma, ninguém precisa fazer conta pra entender meu post hoje...
Na verdade às vezes a gente não precisa entender nada...basta continuar a nadar, como diz minha amada Doris , em"procurando o nemo".
O fato é que ontem, ao sair de uma entrevista de emprego, eu fui ate uma farmácia e, na saída, uns três meninos me abordaram pedindo moedas...é muito triste ver crianças sendo usadas como iscas para conseguir dinheiro. Mas também é um fato a total discriminação com as pessoas mais carentes. Elas são marginalizadas, quase esquecidas pelo poder público...quando lembradas, alguém resolve fazer um cartão para receberem incentivos mínimos, enquanto que deveriam ter o básico: direito à educação de qualidade, saúde, segurança, moradia etc
Toda vez que vejo crianças pedindo dinheiro ou trabalhando nas ruas, penso que o melhor a fazer é não alimentar este vício. Apenas digo não e falo que deveriam estar estudando, pergunto de onde são, cade os pais...mas eles sempre desconversam. Só sei que dar dinheiro nessas horas não resolverá nada...posso pagar um lanche, dar um biscoito, mas dinheiro...nem pensar!
Depois que saí da farmácia fui esperar meu marido sentada num banco na pracinha da cidade aqui...Aí vento vai, vento vem...senta um doente mental do meu lado...
E diz:
-A vida é boa né?
Eu olhei pra ele...ele tava com um saco nas mãos, comendo alguma coisa ...não sei parecia farinha...não fiquei encarando tanto ele...embora soubesse que não poderia nunca me virar de costas para ele...
Durante um estágio num hospital psiquiátrico da minha cidade, estava lá eu toda de branco (ECA! odeio branco) no meio de todos os doidinhos...O espaço era grande, estavam por lá médicos, enfermeiros(Oi...eu!), técnicos de enfermagem e os doidinhos...uns passeavam de mãos dadas, outros sentados no chão gesticulando sem parar... e, de repente, um vem por trás de mim e me agarra...pronto!Eu fui motivo de piada por meses...Não! não aconteceu nada demais...eles tiraram ele das minhas costas e eu fui me recompor!
Mas, voltando à praça, o doidinho da praça, enquanto comia a coisa estranha dele, me questionava se eu tinha filho, quem eu estava esperando, e se a vida era boa, o que mais me desconcertou!
Eu disse: é a vida é boa...tenha fé...acredite a vida é boa.
Ele então parou, olhou o saco de comida, me olhou, perguntou mais umas 10 vezes a mesma coisa e disse: É! A vida é boa!
Enquanto isso algumas pessoas me olhavam desconfiados...era como se eu precisasse de ajuda...me olhavam com olhos de quem diz: "Ei...quer que eu te tire daí? O que aquela mulher tá fazendo conversando com aquele doido?"
E eu achando interessantíssimo ver a precaução deles...mentira...puro preconceito!!!
Como doentes mentais são marginalizados...largados...tratados pela própria sorte! O governo não tá nem aí...as pessoas temem serem agarradas e agredidas...fora os familiares que sem saber cuidar, acabam perdendo o controle.
Eu já tive contato com menidos de rua sabia... Eu e mais um grupo de jovens, preparávamos hot dog e levávamos para os mendigos e meninos que moravam numa praça, numa região bem "perigosa" da minha cidade, durante a noite.
E esta experiência me ensinou muitas coisas...pude ver que muitos daqueles que estavam alí eram dependentes químicos, lúcidos, alguns até tinham terminado o períodos escolar, mas eram viciados em droga e a família tinha explusado eles de casa, ou, às vezes, eles próprios queriam viver na rua, para poderem usar a droga mais facilmente. Outros queriam sair daquela vida, mas não conseguiam ajuda prática...como um lugar para reabilitação.
Algumas crianças, emboram tenham corpo e idade, não são mais crianças...eles já viram de perto a dificuldade da vida, foram largados no mundo do vício e são usados pela própria família.
Quando falamos em doente mental as coisas pioram muito, porque parece que a sociedade enxerga eles como seres não pertencentes a este mundo...de fato são...alguns, dependendo da doença mental, possuem um mundo próprio, mas nunca deixarão de ser pessoas e deveriam ser cuidados com maior amor, maior dedicação e respeito. Muitas doenças mentais tem tratamento, seja ele medicamentoso ou psicoterápico, mas, a pena maior que sinto, é de quem não tem tratamento...quem possue um bichinho dentro de sí, chamado egoísmo, e só é capaz de pensar e agir de acordo com seu umbigo.
Para estes sim...eu nunca darei as costas, porque estes te apunhalam sem nem mesmo perder o juízo, sem ter razão, sem passar fome ou saber como é a miséria humana. Para estes só a pena...só orações, porque, às vezes, só Deus mesmo para dar conta de tanta indiferença!


14 comentários:
Não acredito que a palavra seja Pena..pq se o universo deixa que tudo isso aconteça é pq existe uma lógica, uma necessidade, uma razão. E com certeza o ser humano ainda é muito preconceituoso com tudo que é diferente dele mesmo, tudo que não é "normal", mas faz tudo parte do processo. Tudo está certo..se acreditar que existe uma força inteligente que rege tudo! Bjss
Amigaaa queridaaa, adorei seu post de hoje, fiquei aqui lendo e pensando na realidade dessas pessoas marginalizadas, isso é mesmo muito triste.
Quanto aos doentes mentais, é mesmo verdade o que vc diz, a maioria das pessoas olha pra eles como se não pertencessem a esse mundo, como se não merecessem o respeito, como se tivessem pedido pra estar como estão, não lembrando de que isso pode acontecer com qualquer um a qualquer momento.
Eu sei que muitas vezes essas pessoas vivem num mundo de fantasia, um mundo próprio, mas a psicologia tem me ajudado muito a enfraquecer meu preconceito, sempre que dou de cara com alguém assim agora convido-o para conhecer o meu mundo ou peço licença para visitar o dele(a), as experiências são significativas, enriquecedoras e muito gratificantes, GARANTO.
É preciso saber domar esse bichinho ridículo do qual vc fala, é preciso sentir o outro em sua essência e se deixar sentir...
Beijoo grande
É querida, as vezes o mundo fica tão sem sentido, tão injusto que minha impotencia pode ser percebida até nas palavras..
Me revolta os políticos roubando e pessoas passando fome, me revolta crianças na rua pedindo esmola, me revolta tudo...
E sem jeito pra dar, me acabo!
Infelizmente a vida é assim mesmo!
A sociedade estratifica determinadas pessoas... e o que o governo faz p/ mudar isso??
Nada!!!
Tb não dou dinheiro p/ essas criancinhas, mas comida n sei negar, afinal são nossos irmãos tb!
Adorei o estilo do seu blob, vou seguir!!
passa lá no meu, sou nova nesse mundo dos blogs!
bjão
Dar dinheiro as crianças na rua, não adianta. Sempre vai ter um adulto explorador por trás.
Se fosse possível atacar a causa e não a consequência, a vida para essas pessoas seria bem melhor.
Enquanto houver restrições ao controle de natalidade, parcerias entre polícia e traficantes, e maus exemplos vindos de cima, fica difícil.
Gostei demais do texto, viu!
Um beijão!
Vivian!
Post M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.O.!
então. vamos ao que eu acho.
sobre as 'crianças-iscas', sou categórica. não dou esmola e pronto! mas dou uma palavra de carinho. dou atenção. pois estas crianças são carentes sim, mas não de dinheiro. crianças não sabem o que é dinheiro, apesar de serem, em geral, bastante inteligentes para compreenderem a sua utilidade. no entanto, sem dinheiro crianças vivem bem - e muito bem. melhor do que nós, mecenários. que só vivemos para o dinheiro, em função do dinheiro, para multiplicar o dinheiro... mas não dou dinheiro não. procuro dar oportunidades. dinheiro não.
sobre os loucos.. eu já vi tantos loucos, que não me surpreendo mais.
mas, queres saber quem são os verdadeiros 'loucos'? na minha opinião são todos aqueles que se podam para serem ditos 'normais', sabe? eu já vi muito, sabe, Vivian. vi doentes mentais mesmo. já conheci pedófilo, traficante, drogado... já vi de tudo. e nada, nada mais me surpreende.
para mim, tudo isso é normal. perguntar se a vida é boa. e responder no mesmo tom.
beijo Vivian! post lindão, e inspirador!
Eu também não gosto de dar dinheiro. Mas, às vezes dou.
E confesso que, apesar de achar tudo muito triste e que a vida não é boa pra muita gente, faço pouco para ajudar as coisas a melhorarem...
Triste.
Beijos
É triste ver a sitação dessas pessoas desamparadas. Não só crianças, mas idosos que deveriam ter condições dignas para terminar seus últimos anos de vida.
Quanto a doentes mentais, eu tenho medo deles... é estranho saber que se está diante de alguém que não controla seus impulsos.
Bjs
Isso parece muito Mutantes... "Maluco é quem me diz que não é feliz. Eu sou feliz!"
De loucos e meninos de rua eu conheço e já passei por várias situações (Ideia para um post :D). Já fui cantado por uma louca, já parei diversas vezes para conversar com bêbados, jah vi o corte mais inesquecível que um pedinte recebeu, dentre outras coisas.
E eu sempre acabo dando atenção aos loucos: não por medo, e nem por pena, mas por sentir que eles precisam de um pouco de atenção. Atenção que lhes é negada, pois todos os tratam como seres de outro mundo. Eles são humanos também. Diferentes, afetados, às vezes até limitados - mas nem por isso deixam de ser humanos, e merecem ser tratados como tal!
Pessoas existem de todos os tipos.
Cadinho RoCo
É isso! A indiferença deveria ser tratada! Assim não haveriam "doidinhos" e crianças "de" rua. Abaixo o "umbigocentrismo". ótimo post bjs eu volto,
Já assistiu um filme chamado "Simplesmente Feliz" (título original é Happy Go-Lucky )?
Acho que você vai se identificar bastante. Olha, dizer que a vida é boa não significa que tudo que acontece é pro bem, que não existem problemas, desgraças, indiferença, preconceito... mas que existe um lado bom, sabe? Que por mais que tenhamos problemas, de alguma forma, a vida é boa. Você está viva, você tem amigos, você tem saúde.. sabe? E acho triste se sentir culpado por isso. Sei lá...
Mafalda já disse que o mundo está doente, mas ainda é o nosso mundo, não é mesmo?
Beijos
Um texto maravilhoso que mostra a sabedoria e encanto que você tem. Parabéns.
Beijos
Cleo
KKKK gente o assunto é sério, mas vc consguiu deixá-lo leve e divertido mesmo assim.
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