Cultivo flores em mim e em ti...assim quando consigo despir as máscaras e então vejo a luz que vem de dentro.
Cultivo olhares sedentos de mudança...quando eu conseguir livra-me dos medos, dos vícios, dos atrasos dos ponteiros que insistem em caducar.
Cultivo lágrimas...sempre honestas,cheias de sentimentos, porque sou sensível ao ponto de você nem notar que me feriu, me machucou, geralmente fico sem reação, numa indecisão se retruco ou não. Mas só retruco se valer muito à pena!
Cultivo dias de sol...porque preciso dessa energia para manter meu coração aquecido e o esqueleto rígido para não desmoronar.
Cultivo também dias nublados...afinal preciso poupar minhas raízes, repensar sobre as nuvens que pairam no meu céu.
Cultivo livros velhos e mofados...já que me sinto tão bem voltando ao passado e reencontrando minha infância, onde tudo, mesmo triste, tinha razões para ser feliz!
Cultivo pêlos de cachorro no quarto...nada melhor que um abraço sincero, um olhar apaixonado e um rabo abanando, apontando a verdade de uma bela amizade.
Cultivo panelas sobre a pia...para que elas me lembrem que na labuta do dia a dia a gente fica mais gente, mais vizinha da realidade da subsistência.
Cultivo cenas de filmes...através deles posso conhecer lugares distantes e me tornar personagem de histórias que não são e nunca serão minhas!
Cultivo um band-aid na gaveta...em casos de dor ele cobre o ponto fraco e me alivia da realidade.
Cultivo roupas velhas no armário...elas em trazem o aconchego da liberdade de não precisar seguir padrões para ser aceita, pelo menos não pela cama na hora de dormir.
Cultivo passarinhos na janela...e eles me trazem a paz, a certeza de que a liberdade é algo conquistado todos os dias.
Cultivo amigos...mesmo que distantes ou perto de mim, porque nada melhor na vida que ter alguém por verdade, não por vaidade, e poder jurar amor sem fim.
Cultivo a paz no silêncio...ele me proporciona um encontro comigo, onde sou capaz de me perdoar todas as vezes que não consigo transpor as barreiras e de comemorar nas horas que redescubro ser quem eu sou.