
Ontem 13 de maio foi dia dela: Nossa Senhora de Fátima!
Acho que ainda não expressei minha convicção religiosa, mas sou católica.
E apaixonada por Nossa Senhora em suas diversas denominações, em especial, Fátima e Nazaré.
Pra mim ela expressa uma imagem de um ser humano realmente humano. Uma mulher doce, meiga, serena, porém forte e guerreira em suas ações. Soube aceitar os desígnios de Deus sem questionamentos e sofreu...sofreu muito!!! Sofreu por descobrir que seu filho teria que pagar por algo que ele não tinha feito, sofreu por descobrir que não era mãe só do crucificado, mas de toda a humanidade pecadora. E nunca desistiu de sua caminhada e tornou-se Santa.
E nos mostra que esta santidade não está além de nossas forças...também nós podemos ser santos. Que é através dos atos de amor e caridade do dia-a-dia que nos tornamos santos!
Então eu conto agora uma história (real) para demonstrar como é possível, grande e belo esta vivência da santidade nos dias de hoje.
Maria nasceu em 1954, numa família de classe média alta.
Filha de pai português e mãe cearense, morava no Pará.
Foi a primeira de seis filhos, dentro os quais, 5 mulheres e 1 homem.
Suas infância e adolescência foram normais. Estudava em escola pública, pois naquela época possuíam um excelente nível, fazia aula de canto e piano numa escola tradicional da cidade.
Em casa, era ótima filha, sempre prestiva e dedicada aos cuidados com os irmãos e, em especial, seu pai, José, que possuía um estado de saúde delicado.
José era português e trazia consigo uma doença desconhecida dos médicos da região onde moravam. Uma doença familiar, hereditári e sem cura. Seu estado era de limitações físicas, vivia em cadeira de rodas e necessitava de ajuda para realizar as necessidades básicas de qualquer ser humano.
Sua mãe, Elisa, professora e diretora de escola, conseguiu trabalhar até seu marido necessitar de seus cuidados mais de perto, obrigando-a a largar o emprego e a permanecer ao seu lado.
Diante de grande inquietações, Maria procurava respostas para tal sofrimento do pai. E foi junto a um grupo de jovens religiosos que encontrou elucidações para os porquês que atormentavam sua mente.
Originária de família católica, Maria, começou a participar de encontros de jovens, ingressou no grupo musical e se apresentava nos teatros, levando não só a divulgação do evangelho como grande testemunho do amor de Deus em sua vida.
Perdeu seu pai antes mesmo de ingressar na vida acadêmica, onde cursou Medicina, na Universidade Federal do Pará. Tendo grande desempenho, formou-se e especializou-se em Pediatria.
Nesse momento, conheceu seu esposo Nilson e casou-se com ele. Mesmo tendo sofrido preconceito por parte das irmãs, por seu esposo ser de classe social inferior, não deixou-se esmurecer e seguiu seu coração. Após dois anos de casamento, tiveram, uma filha, Beatriz, que esperaram com grande amor e devoção.
Mas seus dias de plenitude, casamento, filha, profissão, seria abalado com a descoberta que era portadora da mesma enfermidade que seu pai sofreu anos atrás. Sem informação sobre a doença em sua cidade e seu País, foi em busca de cuidados na origem de tal mal: Portugal.
Esta doença de origem portuguesa, não tinha tratamento ou cura. Era uma doença de caráter genético, portanto hereditário, neurodegenerativa progressiva. Um tipo de amiloidose familiar. Uma substância anômala depositava-se nos nervos e causava danos aos órgãos e fazia com que a pessoa perdesse a sensiblidade ao tato e a força nas pernas e nos braços, a locomoção, passando a viver numa cadeira de rodas, e também não possuísse controle de suas necessidades básicas. Depedendo totalmente de cuidados. Uma mutação em seu gene simplesmente mudaria seu destino, sua rotina e seu modo de enxergar a vida.
Foram 15 anos com a doença. Todos em busca de informações novas sobre o processo de tratamento, mas, nestes anos, nada surgiu e a doença precisou ser encarada como uma dura realidade e também grande oportunidade para o amor. Era assim que Maria enxergava seu estado. Uma prova do amor de Deus por ela. Porque ela acreditava que o sofrimento físico, moral e qualquer que fosse,a aproximava de Deus e, através dele, ela poderia ser exemplo de vida para muitas pessoas.
Muitos que a vizitavam ficavam surpresos com sua serenidade diante de dores físicas avassaladoras. Diante da perda de sua rotina. Afinal seu estado lhe privou de muitas coisas como acompanhar o crescimento de sua filha, o desenvolvimento de sua profissão, o convívio com a sociedade e seu relacionamento amoroso, como mulher, com o marido.
Seu esposo esteve sempre ao seu lado. Cuidava dela com todo amor e cuidado, mas como ser humano, dígno de momentos de raiva, desilusão, também teve que suportar muitas provações. Bem como de seus familiares que permaneciam distantes, mantinham relacionamento com ela através de visitas esporádicas.
Foi no grupo de jovens católicos, participantes de um movimento ecumênico pela unidade entre os cristãos, denominado: Movimento dos Focolares, que Maria encontrou relacionamentos de amor verdadeiro, onde podia abrir seu coração e ser amada da forma que era.
Como já tinha dito, foram 15 anos de sofrimento. Várias idas e vindas de hospitais, onde permanecia internada por longos períodos. Sofrimento maior ainda por saber que sua única filha também era protadora dos genes desta mesma doença e guardava consigo tal descoberta afim de não provocar maior sofrimento em sua família. Seu único irmão, Geraldo, também desenvolveu a mesma doença. Ela o viu partir, depois viu sua mãe partir, que dedicou a vida para cuidar de seus esposo e depois de seu filho, todos castigados pelo mesmo mal. Não pode comparecer ao velório de sua mãe, pois encontrava-se internada. Tantos momentos de dor e ela sempre reagia de forma serena e confiante na Vontade de Deus para sua vida.
Depis de longos anos e inúmeras experiências dolorosas, Deus a chamou para seu convívio. E o que ficou além de toda a sua devoção à Deus foi a certeza de que foi exemplo de santidade, por ter amado a Deus e ter sido testemunho de amor. Estando no mundo, mas já sendo divina!
Nossa!!! Escrevi muito né? Contaria esta história com muitas entrelinhas, mas o todo é este. Acredito que é um grande exemplo de que também nós podemos ser santos!
Um abração em todos vocês!